"As Pupilas do Senhor Reitor"

Foi pedido aos alunos do 5.º Ano que participassem no Concurso "Quem conta um conto, acrescenta um ponto" - patrocinado pelo Semanário Sol.
Daí resultaram bons textos tais como este que se segue, pertencente à aluna Alícia Frango, do 5.º D:

As pupilas do Senhor Reitor

– Daniel! Daniel! - gritou Margarida entrando, de rompante, no consultório de Daniel.
– O que se passa mulher, que gritos são esses? - inquiriu o Daniel.
– Lê! Lê! A carta que recebi da minha irmã! - disse a Margarida entregando-lhe a carta e sentando-se na poltrona do consultório, ainda sem fôlego e soluçando.
Daniel pegou na carta e começou a ler.
A carta que tanto desassossêgo provocou na Margarida falava de como estavam crescidos os seus sobrinhos, Dalila e Martim. Ela, uma rapariga reservada, mas possuidora de um grande coração; ele um rapaz de compleição física delicada como o seu tio Daniel, mas era um estudante magnífico. No entanto não foram estas notícias que transtornaram tanto a Margarida. Mas sim o relato da doença do padre António, homem bom e querido por todos. A carta falava na verdade que ele já estava acamado há vários dias e que derivado à sua idade, o seu estado de saúde era bastante grave.
Daniel levanta-se e ajoelhando-se aos pés de sua esposa, pega-lhe na mão e diz:
– Querida, acalma-te, vai preparar os miúdos, quando estivermos prontos vamos para a aldeia.
Quando Margarida chegou a casa gritou:
– Patrícia, César!
Margarida e Daniel também já eram pais de um lindo casal de gémeos. César era forte e sadio como o tio Pedro e o avô José, mas sem vocação para os estudos, demonstrava, no entanto, uma enorme paixão pela vida do campo. E Patrícia era uma menina muito bonita e já dona de muitos corações.
Após uma viajem cansativa do Porto para a aldeia natal, onde imperou o silêncio, finalmente chegaram ao destino.
César foi o primeiro a correr em direcção ao seu avô José das Dornas. Deu-lhe um grande abraço e disse-lhe que já estava com muitas saudades dele, pois ele era o neto querido do avô e o único apreciador dos trabalhos da quinta.
Entre abraços e beijos, lá passaram alguns minutos, quando apareceram o Pedro, sua mulher e os seus filhos, que iam visitar o Senhor Reitor. Depois de se cumprimentarem e de matarem as muitas saudades que existiam…
– Sabem onde está o padre António? – interrogou o Daniel.
– Sim, ele está em casa. – ripostou a Clara.
– Nós vamos visitá-lo, se quiserem vir connosco. – comunicou o Pedro.
– Sim, nós vamos. – disse o Daniel.
– Se quiserem, eu posso ficar com as crianças! – exclamou o senhor José das Dornas.
– Sim, muito obrigada pai! – exclamou o Pedro.
– Então vamos! – disse a Clara.
Lá foram eles, quando lá chegaram, o Senhor Reitor, que era o tutor de Margarida e Clara, olhou para as duas, nesse momento, notou-se uma luz de felicidade no rosto do velho Padre, tentou levantar-se e com os braços abertos em direcção às suas queridas pupilas esperou pelo grande abraço de Margarida e Clara. De repente, sem se perceber como, morreu, caindo nos braços das suas pupilas.
O funeral foi marcado logo para o dia seguinte. A aldeia inteira estava presente para homenagear o Padre, e nesse dia com o Senhor Reitor foram enterrados todos os boatos, conversas e rumores sobre os dois casais da nossa história.

Sem comentários:

Enviar um comentário